Quarta-feira, Novembro 11, 2009

Citando Lord Alfred Tennyson

Não temos nada além da fé: não conhecemos,

pois o conhecimento vem das coisas que vemos;

e, contudo, confiamos que ele vem de ti,

uma luz na escuridão; deixe-a crescer.

Deixe o conhecimento crescer mais e mais,

mas não mais do que se prolonga a reverência em nós;

que a mente e a alma, trabalhando juntas,

possam fazer uma música como a de antes,

mas que seja ainda maior."

Citando Martin Buber

"...Eu não sou capaz de dar uma explicação suficientemente perfeita; não é uma questão de falta de habilidade, da minha parte, de pensar, mas uma característica peculiar e real da minha relação com quem confio ou com o que acredito ser verdadeiro. É uma relação que, por sua natureza, não está baseada em 'razões'...
É claro que pode haver razões que a impulsionem, porém elas nunca serão suficientes para justificar a minha fé... A minha racionalidade, o meu poder racional de pensamento, são apenas parte, uma função particular da minha natureza; no entanto, nos momentos em que 'acredito'.. . todo o meu ser se envolve, a totalidade da minha natureza entra no processo e, na verdade, isso se faz possível apenas porque o relacionamento de fé é um relacionamento ao qual o meu ser se entrega por completo. Mas, neste sentido, a totalidade pessoal apenas pode se envolver por completo se a função integral do pensamento, sem qualquer tipo de resistência, também se envolver..."

Sexta-feira, Novembro 06, 2009

Para quem tem certeza absoluta que tem toda certeza

A pretensão de uma fé absoluta, que não dá espaço para dúvidas, fechada, esfomeada por certezas é no mínimo ingênua.

Compartilho com vocês alguns problemas relativos ao conhecimento e à crença por Brian McLaren em seu livro Em busca de uma fé que faz sentido.

1. Você já esqueceu alguma coisa – um encontro, um aniversário importante, um objeto em uma loja, onde você deixou a carteira ou as chaves? Você já sofreu algum acidente de carro cuja culpa foi sua – por conta de um lapso de atenção ou de julgamento? Se a sua mente é capaz de ter lapsos relevantes de memória ou de ser responsável por acidentes sérios, como você acha que pode confiar nela?

2. Você acha possível estar tão fora de si que todos percebem, menos você? Você acha possível que todo mundo esteja apenas brincando com você, fingindo que vocÊ é normal, mas na verdade você está totalmente fora da realidade? Ou talvez sonhando. Talvez você seja uma personagem de sonho de alguém, e aí é lógico, que tudo isso parece real, já que a imaginação da outra pessoa permite que você pense que tudo é real. Como você sabe que estas possibilidades não são reais?

3. Dizem que os esquimós têm dezenas de palavras para descrever a neve. Eles jamais pensariam em dizer algo como “está nevando”, da mesma forma que não diríamos “está precipitando” ou “o tempo está acontecendo”. A afirmação é simplesmente genérica demais para ser usada por eles. A especificidade idiomática deles faz com que enxerguem diferenças entre os tipos de precipitação de cristais congelados sobre as quais nenhum de nós sequer ouviu falar. Da mesma forma, é possível que a minha língua me impeça de perceber muitas distinções espirituais ou realidades que outras pessoas que falam outras línguas podem apreender? E você acha que é possível que, em linhas gerais, a linguagem humana possa condicionar os nossos pensamentos em uma rotina que nos impeça de conhecer a realidade a partir de outros caminhos alternativos – talvez até mais verdadeiros ou completos? É possível treinar a nossa mente para que ela vá além dos limites normais estabelecidos pela nossa língua?

4. Antigamente, todo mundo “sabia” que a terra era plana. Antes de Galileu, todo mundo “sabia” que o sol girava em torno da terra. Antes de Darwin, todo mundo “sabia” que a terra foi criada em seis dias, por volta de 4004 antes de Cristo. Antes da Guerra Civil, muitas pessoas “sabiam” que a escravidão era absolutamente justificável. Como podemos saber se muitas das coisas que julgamos saber hoje não serão comprovadamente falsas no futuro?

5. depois do julgamento, nos Estados Unidos em meados de 1990, de O. J. Simpson por assassinato, evento amplamente divulgado, a maioria das pessoas da mesma raça do acusado “sabia” que ele era inocente, enquanto que a maioria das pessoas de outras raças “sabia” que ele era culpado. Todos haviam tomado conhecimento das mesmas evidências objetivas, mas a interpretação subjetiva da cada uma das pessoas foi, ao menos em alguns casos, influenciada por seu passado. Como podemos saber se o nosso passado não vai interferir na nossa capacidade de sermos objetivos e justos?

6. A maior parte das pessoas que cresceu em um contexto religioso particular acredita que a religião é sinônimo de verdade. Se você nasceu na Índia, provavelmente vai “saber” que o hinduísmo é a verdadeira religião. Se nasceu na América do Norte ou na Guatemala, a religião verdadeira provavelmente será o cristianismo. Se você fizer parte de uma família de intelectuais franceses, será agnóstico ou ateu e se estiver no Irã, será islâmico. Se estiver em Israel, sua religião será o judaísmo. Há exceções, mas parece claro que a maioria das pessoas escolhe as suas crenças com base na aceitação social, pressão dos pares e outros fatores, mais do que com base em uma investigação independente e sensata da evidência objetiva. Quantas das coisas que “sabemos” simplesmente refletem as normas dadas pelos grupos aos quais pertencemos?

7. o conhecimento científico é baseado em experimentação contínua. À medida que aumentam os dados disponíveis e que as hipóteses “funcionam”, depois de repetidos testes, dá-se um salto indutivo de resultados específicos para generalizações, que passam a ser aceitas como “conhecimento”. Uma coisa pode ser considerada verdadeira pelo fato de funcionar de forma consistente?

Quarta-feira, Outubro 21, 2009

Novo CD de Gérson Borges "Nordestinamente"


Indico com entusiasmo o novo CD de Gérson Borges "Nordestinamente". Gérson Borges é pastor da Comunidade de Jesus em São Bernardo - SP; é músico, compositor. É um dos representantes da nova safra de compositores cristãos.
O CD está um primor; compromisso com a arte, a beleza; muito gostoso de ouvir e emocinante.
Num deserto de beleza que estamos atravessando no meio musical evangélico, este CD surge como um Oásis.
Gérson Borges é uma das minhas referências e inspiração para continuar servindo a Deus com dedicação.
Adquira o CD pelo site http://www.wix.com/sitedogb04/gersonborges

Quinta-feira, Outubro 15, 2009

Soneto da Prece


Meus olhos distraídos e cansados
repousam sobre a graça de Deus
Meus lábios traídos por fonemas
emudecem, ao mistério fazem jus...

Diante do Eterno e do Amigo
palavra não se faz obrigação
silêncio não irrita, nem apressa
o encontro que já é adoração

Pensamento e coração fazem prece
suspiro e murmúrio, oração
respiro a companhia do sagrado

ouço a Voz do Pai há muito declarada
que ressoa em meu peito e consciência:
"você é meu filho amado!"

Márcio Cardoso


Quarta-feira, Outubro 14, 2009

Novo livro de Ricardo Gondim - Imperdível e necessário!

A Fonte Editorial está lançando a dissertação de mestrado de Ricardo Gondim que foi aprovado com louvor na UMESP. Eu estava lá na defesa da dissertação - uma contribuição necessária ao evangelicalismo.

Quinta-feira, Outubro 08, 2009

"Variação" (Márcio Cardoso) - Música nova!

Às vezes me sinto qual despedida
Hiato entre o sim e o talvez
Às vezes me sinto feito saudade
Um cheiro de vida e adeus

Às vezes me sinto nublado e frio
Ora completo, ora vazio
Sou dias de flores, de sóis, de amores
Às vezes somente um nó!

Às vezes sou festa, sou dança e canção
Ora se cala o meu coração
Mas todas as vezes, sem variação
Eu sou querido de Deus!

Às vezes sou pedra, coluna e rio
Ora incerteza, vexame e arrepio
Mas todas as vezes, de graça e paixão
Eu sou amado de Deus
Eu sou um filho de Deus

Segunda-feira, Outubro 05, 2009

Linhas do livro "Trem nuturno para Lisboa", de Pascal Mercier.

"Ela riu [ao telefone] como ele nunca a havia escutado rir, sem aquele jeito de princesa. Foi uma risada contagiante e ele também riu, surpreso com a leveza inaudita, para ele desconhecida, da sua risada. Riram em uníssono durante um instante, um provocando o riso do outro, continuamente rindo, o motivo não importava, só o riso, era como andar de trem, como a sensação de rodas sobre trilhos, um ruído carregado de aconchego e de futuro, que ele desejou que nunca mais acabasse."

Quinta-feira, Outubro 01, 2009

A Verdade (Carlos Drummond de Andrade)

A porta da verdade estava aberta,
Mas só deixava passar
Meia pessoa de cada vez.
Assim não era possível atingir toda a verdade,
Porque a meia pessoa que entrava
Só trazia o perfil de meia verdade,
E a sua segunda metade
Voltava igualmente com meios perfis
E os meios perfis não coincidiam verdade...
Arrebentaram a porta.
Derrubaram a porta,
Chegaram ao lugar luminoso
Onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
Diferentes uma da outra.
Chegou-se a discutir qual
a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela
E carecia optar.
Cada um optou conforme
Seu capricho,
sua ilusão,
sua miopia.

Quinta-feira, Setembro 24, 2009

Programa Plataforma

Indico com paixão o site do PLATAFORMA!
O PLATAFORMA é um espaço generoso para músicos cristãos que não têm a mega estrutura de uma gravadora ou igreja.
O cenário musical evangélico não é apenas isso que vemos e ouvimos nas grandes mídias.
Quem visita o PLATAFORMA têm acesso a outras linguagens, abordangens, estilos... outro jeito de falar da fé!
O Reino de Deus conta com a nossa diversidade, e o PLATAFORMA tem sido um veículo para garimpar o que estava escondio para muitos!
O programa é muito bem gravado, áudio, vídeo, fotografia, maquiagem... o pessoal faz com excelência!
Quem tem olhos para ver, ouvidos para ouvir acesse www.plataforma.art.br e sirva-se de beleza!

Terça-feira, Setembro 22, 2009

Um recorte de Pascal Mercier em o TREM NOTURNO PARA LISBOA - Ed. Record.

O que eu parecia e mostrava ser – pensei – nunca o havia sido, nem um único minuto da minha vida. Não o havia sido na escola, nem na universidade, nem no consultório. Será que com os outros acontecia o mesmo? Será que ninguém se reconhece no seu exterior? Será que a imagem refletida lhes parece um cenário de deformações grosseiras? Será que se apercebem com horror de um abismo que se abre entre a percepção que os outros têm deles e a forma como eles se veem? Que a intimidade interior e a intimidade exterior podem se afastar de tal maneira que acaba por tornar-se quase impossível considerá-las com intimidade com o mesmo ser?

A distância em relação aos outros para a qual nos transporta essa consciência torna-se ainda maior quando compreendemos que a nossa imagem exterior não surge aos outros como aos nossos próprio olhos. Não vemos as pessoas como vemos casas, árvores ou estrelas. Vemo-las na expectativa de as encontrarmos de uma determinada maneira, transformando-as, assim, em um pedaço da própria interioridade. A força da imaginação forma-as de maneira que estejam de acordo com os próprios desejos e as próprias esperanças, mas também de modo a que nelas se confirmem os nossos próprios temores e preconceitos. Na verdade, nem sequer alcançamos os contornos exteriores do outro de maneira segura e imparcial. Ao longo do percurso, o olhar é desviado e turvado por todos os desejos e fantasias que fazem de nós a pessoas especial e insubstituível que somos. Mesmo o exterior de um interior ainda continua sendo um pedaço de nosso mundo interior, sem falar dos pensamentos que produzimos sobre o mundo interior estranho e que são tão inseguros e imprecisos que acabam por revelar mais sobre nós próprios do que sobre o outro. Como é que o homem com o cigarro vê o homem empertigado com o rosto magro, o lábios cheios e um par de óculos de aros dourados num nariz adunco e reto que até a mim parece muito comprido e dominador? E como essa figura se insere na estrutura secreta de suas simpatias e antipatias e na arquitetura restante de sua alma? O que o seu olhar exagera e amplia em minha aparência, e o que ele deixa de fora, como se não existisse? Inevitavelmente será sempre uma imagem distorcida a que o fumante estranho faz da minha imagem refletida, e a sua imagem imaginada do meu mundo de idéias acumulará distorção sobre distorção. E assim acabamos por nos ser duplamente estranhos, pois entre nós não há apenas o mundo externo enganador, como também a miragem que dele surge em cada interioridade.